quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Ao virar da esquina

Em dois dias, duas pessoas que de alguma forma um dia cruzaram a nossa vida, a vida dos nossos filhos desapareceram. Se eram próximas? Não eram. Mas em algum momento foram. Deixaram uma marca. Tocaram-nos. Chegaram ambas dentro  no mesmo contexto, partiram de formas e idades diferentes, deixaram-nos (uma vez mais) a pensar em como tudo é tão passageiro.  Irremediável.  Injusto. E que por mais que nos preparemos para a morte, ela pode surpreender-nos ao virar da esquina. 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

The Lady Die! 

Há 20 anos passava um fim-de-semana na costa alentejana. Amanheci com o meu marido a dizer-me: "A Diana morreu! ". O que, para quem tem uma sobrinha Diana, foi um choque, até ele me dizer que tinha acabado de ver na televisão...

Como leitora intrépida da Hola! tinha acompanhado aquele verão de amores,  como tinha acompanhado os desamores, as lágrimas e sorrisos, os outfits, as ternuras com os filhos e tantas outras imagens que faziam dela um ícone. Que perdurou no tempo, que resustiu a tantas transformações e que me acompanhou. E passados 20 anos, guardo ainda os exemplares da revista. Exemplares esses que  também  resistiram a operações de destralhe, limpezas, arrumações, mudanças e que guardo como se aquela personagem, de certa forma, vivesse ali e me transportasse para aquele verão e aquela manhã para os lados do Alentejo. 


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Putos tiranos

Almoço de domingo. Na mesa ao lado um miúdo com uns 5 anos grita agarrado ao prato do pai:- Deixa o pai papar, filho! Tu já papaste mas o pai ainda não. O miúdo grita. Com o pai, com a mãe, por tudo e por nada. Volta a tentar tirar o prato ao pai. Sai da mesa, rasteja e volta para a mesa. Nova birra. O pai diz-lhe que sabe que ele está chateado porque quer ir brincar para a rua (movimentadissima, note-se!)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

novo ano 2

Novo ano

O novo ano cá por casa trouxe dores de garganta, dores no corpo, febre e uma luta com um siso que me deixou de rastos. E nada melhor para esquecer estas maleitas, que relembrar os dias de férias mais recentes, passados debaixo de um sol frio de inverno que apetece aproveitar.
Um dos dias que tinha destinado a visitar os avós, resolvi fazê-lo de elétrico, o velhinho 28. "Aquele" 28 onde dei tantos passeios de juventude, em cada saltinho da Graça até à Baixa, em que as curvas das escolas gerais pareciam as viagens de carrocel da feira popular. Viagens onde os turistas eram escassos, os miúdos iam à pendura e nós íamos armadas em crescidas saindo devagarinho debaixo das asas da mãe. E onde existia um "pica do 7" de que hoje não há memória. Tal como aconteceu com os miúdos cá de casa, que no 28 passearam sozinhos por Lisboa pela primeira vez.
Desta vez fui só eu e a T. Na fila nos prazeres, nós e dezenas de turistas, lá partimos rumo à Graça. A T estava radiante, já que só tinha andado no museu da carris. Sentadinhas à janela, fomos aproveitando a vista. Primeiro,  nas ruas do nosso bairro, aquelas que nos são tão familiares e que tão bem conhecem os nossos passos. Depois, espraiando-nos até S. Bento, Calhariz, Chiado, já com olhos postos no castelo, e em S. Tomé. Poucas eram as vozes portuguesas que se ouviam, "and be careful with the pickpockets".
Chegados ali às bandas de alfama, a cruzar as escolas gerais, pára o velho elétrico. Só passa um de cada vez e quem o diz é o telemóvel, substituído pelo velhinho da taberna da esquina, de placa de stop em punho, como o vi toda a vida. Já não está lá, mas a linha continua a dar só para um e temos que esperar. Finalmente lá seguimos, subindo a voz de operário, e sendo recebidos de braços abertos pelo largo da graça, onde saímos contentes em direção à casa da avó.
A viagem foi também uma visita ao passado e uma forma de espreitar a cidade de outro ângulo. A nós, soube-nos bem "turistar" por aqui. 
Nos dias que nos sobraram, ainda houve tempo para uma visita à Cinderela e ao seu príncipe, brincadeiras com os (muitos) brinquedos novos e uma viagem ao até ao Algarve para receber o novo ano e esperar que nos traga muitas alegrias e que estas maleitas sejam sol de pouca dura.


domingo, 15 de maio de 2016

Viagem no tempo..,há 18 anos

Há 18 anos inaugurava-se a expo 98. Folheando a revista Elle da época, Simoneta luz Afonso era a comissária do pavilhão de Portugal. Fazia-se anúncios a promover às vantagens da lycra, Barbara Guimarães, com 24 anos, era entrevistada para falar de moda. A área chamava-se habitat, yves Saint Laurant festejava 40 anos de carreira, Pierce Brosnan era 007 e fazia anúncios para a Omega. O império Inditex já dava cartas na moda e uma camisola acessível na Massimo Dutti custava 7.950 escudos. Os sapatos usavam-se quadrados, o cinzento era a cor da estação e as Pringles chegavam a portugal. 
Há minha vida chegava o Tomás, 3650 de bebé, calmo e com olhos grandes, que queriam "comer" o mundo. 
De lá para cá, muita coisa mudou, mas se houve coisa que não mudou foi o meu amor por ele, pelo bebé que às vezes ainda vejo quando o olho e quando me esqueço da altura, da voz grossa, da capacidade de decisão e da independência. Um amor cheio de orgulho na pessoa que se tornou. 
Provavelmente o Tomás nunca irá ler tudo isto porque (apesar de todo o meu amor) bloqueou -me no facebook e excluiu-me das suas amizades. Da sua vida, não me exclui e é tão bom quando nós abraçamos apertadinhos e parece ainda o menino que já só eu vejo nele. E 3s depois irei ouvir "ó mãe, pare com isso!) e eu sorrio e percebo que é mesmo assim que eu gosto dele e gostava que nos abraçacemos a vida inteira. 
Parabéns Tomás, e que a vida te sorria sempre. 



quinta-feira, 5 de maio de 2016

Fins de tarde que eu gosto...

Hoje foi dia de irmos escolher a vela para o batizado da T. Fui comprá-la onde comprei as dos irmãos, nas Velas do Loreto e curiosamente, praticamente igual às dos gêmeos, mesmo 20 anos depois. Uma loja que eu adoro, meio mágica, simples e ao mesmo tempo, imponente. Depois, perante o cheirinho da Manteigaria União, não resistimos e lá fomos ao pastelinho de nata. E que sabor! Deliciosos e quentinhos, a rivalizar com outros que adoro, que em matéria de pastel de nata eu sou entendida! E a T vai pelo mesmo caminho e não lhes resiste! Nem ela, nem as dezenas de turistas que encontrámos de caixas na mão. Uma febre lisboeta! 
Depois, ainda houve tempo para um passeio pelo largo de Camões, que finalizámos com a compra de um raminho de espiga, ou não fosse hoje 5a feira da Ascenção. Trigo a simbolizar o pão, papoila para o amor, malmequer pela fortuna, alecrim a lembrar a saúde e videira a representar a alegria. Um raminho que vamos pendurar aqui em casa, para nos trazer tudo isto até ao próximo ano. 

"Não se come pois não? Então não me interessa!"
" O meu cão é giro, mas a estrela da festa sou eu, certo?!"