segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Novo ano
O novo ano cá por casa trouxe dores de garganta, dores no corpo, febre e uma luta com um siso que me deixou de rastos. E nada melhor para esquecer estas maleitas, que relembrar os dias de férias mais recentes, passados debaixo de um sol frio de inverno que apetece aproveitar.
Um dos dias que tinha destinado a visitar os avós, resolvi fazê-lo de elétrico, o velhinho 28. "Aquele" 28 onde dei tantos passeios de juventude, em cada saltinho da Graça até à Baixa, em que as curvas das escolas gerais pareciam as viagens de carrocel da feira popular. Viagens onde os turistas eram escassos, os miúdos iam à pendura e nós íamos armadas em crescidas saindo devagarinho debaixo das asas da mãe. E onde existia um "pica do 7" de que hoje não há memória. Tal como aconteceu com os miúdos cá de casa, que no 28 passearam sozinhos por Lisboa pela primeira vez.
Desta vez fui só eu e a T. Na fila nos prazeres, nós e dezenas de turistas, lá partimos rumo à Graça. A T estava radiante, já que só tinha andado no museu da carris. Sentadinhas à janela, fomos aproveitando a vista. Primeiro, nas ruas do nosso bairro, aquelas que nos são tão familiares e que tão bem conhecem os nossos passos. Depois, espraiando-nos até S. Bento, Calhariz, Chiado, já com olhos postos no castelo, e em S. Tomé. Poucas eram as vozes portuguesas que se ouviam, "and be careful with the pickpockets".
Chegados ali às bandas de alfama, a cruzar as escolas gerais, pára o velho elétrico. Só passa um de cada vez e quem o diz é o telemóvel, substituído pelo velhinho da taberna da esquina, de placa de stop em punho, como o vi toda a vida. Já não está lá, mas a linha continua a dar só para um e temos que esperar. Finalmente lá seguimos, subindo a voz de operário, e sendo recebidos de braços abertos pelo largo da graça, onde saímos contentes em direção à casa da avó.
A viagem foi também uma visita ao passado e uma forma de espreitar a cidade de outro ângulo. A nós, soube-nos bem "turistar" por aqui.
Nos dias que nos sobraram, ainda houve tempo para uma visita à Cinderela e ao seu príncipe, brincadeiras com os (muitos) brinquedos novos e uma viagem ao até ao Algarve para receber o novo ano e esperar que nos traga muitas alegrias e que estas maleitas sejam sol de pouca dura.
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