Há 13 anos atrás, P. e I. ultimavam os preparativos para o seu casamento. Aos miúdos cá de casa, acompanhados dos primos, cabia a responsabilidade de acompanhar os noivos até ao altar e a nervoseira apertava. B. e V. com 4 anos, tinham consciência da responsabilidade. Afinal, era o grande dia para os tios! Já T. com os seus 15 meses, permanecia alheio a todo o reboliço inerente ao acontecimento. As suas preocupações eram de ordem motora, fazendo (muitas) tentativas vãs para dar os primeiros passos, que terminavam quase sempre no chão, por entre as correrias dos irmãos. O corpinho, de bebé rechunchudo, talvez não ajudasse... Apesar disso, não desistia e entre a parede e o sofá, equilibrava-se de olhos postos nos territórios a conquistar. Os sapatos, que lhe comprei para a cerimónia, apresentavam-se sem grandes perspetivas de ficarem riscados pelas suas caminhadas!!!
E assim lá partimos para férias, que nesse ano nos levaram por essa europa fora, onde não havia espaço (nem tempo!) para os treinos de marcha de T. As passeatas eram no carrinho, as visitas aos museus e às catedrais, também. Os irmãos corriam, rebolavam, sentavam-se e esperavam quando era necessário e T. continuava a aguardar o momento em que também poderia "fazer-se à conquista". Restava-lhe observar, com os olhos grandes e face risonha.
Passaram todas as férias e isso não aconteceu. Os passinhos, continuaram ténues e desengonçados pela mão do pai e da mãe.
Três semanas volvidas, e lá regressamos para o grande dia do P. e da I. Assim que entrámos em casa, T. presenteou-nos imediatamente com três passos, confiante por estar no seu território, antes de voltar a aterrar com o rabo no chão. Palmas, beijos. Será que é desta? No dia seguinte, atrás dos patos no jardim da Estrela, novos ensaios, que o miúdo não se intimidava! E ao fim do dia, com um sorriso rasgado, T. mostrou-se capaz para novas responsabilidades e desafios. Já sabia finalmente andar!!!
E foi assim, faz hoje 13 anos, que T. encabeçou o cortejo do casamento dos tios. Seguro do seu papel, caminhou em direção ao altar com pequeninos passos, enquanto nós olhávamos orgulhosos perante aquela habilidade recém conquistada do nosso petiz.
Passados 13 anos, o P. e a I. também continuam a caminhar lado a lado e é a eles que dedico este texto, pelo aniversário de casamento.
P.S. Os sapatinhos ficaram com a sola riscada como eu queria e guardo-os de recordação, pela conquista do T.
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